sábado, 10 de outubro de 2009

Mistério poderá ser desvendado semana que vem

     Na sexta-feira, dia 18 de setembro, o DIARINHO, com sua linguagem peculiar, publicou matéria polêmica, fazendo denúncia envolvendo a Federação Catarinense de Futebol (FCF), o seu polêmico presidente Delfim de Pádua Peixoto Filho (que tem como marca registrada o cachimbo na boca e a camisa aberta), o Clube Náutico Marcílio Dias e, pra variar, o Egon da Rosa. Eis-a então:

     "O Centro Comercial Marcílio Dias, na avenida Sete de Setembro, anexo ao estádio Dr. Hercílio Luz, bem no coração de Itajaí, é considerado uma das salvações pra que o Marinheiro tenha uma boa renda mensal com os aluguéis das salas e consiga se livrar das dívidas. O problema é que o prédio não tá sendo usado tão bem como deveria e até a Federação Catarinense de Futebol (FCF) tá lucrando há muito tempo com o espaço do Marinheiro.

    O caso foi descoberto após divulgação de um parecer da comissão fiscal do clube, que o DIARINHO teve acesso. Pelo documento, uma das salas do centro comercial tem como sublocador Delfim Pádua Peixoto Filho, presidente da FCF. Lá funciona uma lanchonete e a entidade máxima do futebol barriga-verde recebe, mensalmente, 450 reales de aluguel há pelo menos sete anos, deste inquilino do imóvel. “Comprei a sala em 28 de fevereiro de 2002 e desde que cheguei aqui pago o aluguel pro Delfim”, diz um dos responsáveis pela lanchonete DGraus, João Pedro Gomes, que ainda confirma que o recibo do aluguel tá em nome da FCF.
     Seu João conta que o antigo dono da lanchonete, conhecido como Pedrinho, já falecido, também pagava o aluguel pra FCF e não pro Marcílio Dias, que, teoricamente, teria direito ao valor, já que é o dono do centro comercial e, consequentemente, da sala onde funciona a lanchonete.
     O rolo teve início no final dos anos 90, quando Egon da Rosa era o presidente do Marinheiro. Naquela época, pra quitar uma dívida astronômica junto à federação – segundo o próprio Egon, que não soube precisar o valor do débito –, o cartola repassou a sala pra Delfim e Cia. em forma de permuta até que a tal dívida fosse paga. O problema é que isso rolou há pelo menos 10 anos, e até hoje o valor do aluguel entra na conta da FCF, fato confirmado até pelo gerente financeiro da federação, Arlindo Reis. “Sim, a federação recebe esse valor todo mês. Mas não vi contrato disso, o Delfim foi lá sozinho”, fala.
     Jonas Teixeira, funcionário do setor administrativo do Marcílio, afirma que não tem como analisar o contrato dessa sala junto ao clube porque Egon, ex-presidente, não deixou nenhum tipo de contrato ou documentos referentes à sua gestão.
     Já o atual presidente do Navegantes garante que a afirmação de Jonas é conversa fiada. “É muito fácil botar no dos outros”, lasca o cartola, que confirma o repasse da sala à FCF, dizendo que não tem mais acesso ao documento porque a negociação rolou há muito tempo e que o responsável jurídico do clube na época em que era o presidente já morreu. “Se tinha dívida, alguma coisa foi feita, foi passada alguma coisa pra eles (FCF). Com certeza foi feito o contrato, mas não tenho como dizer por quanto tempo”, se esquiva Egon.
     Carlos Crispim, ainda presidente do Marcílio, fala que, segundo o departamento jurídico do clube, o misterioso contrato já acabou. “Estamos negociando pra pedir a reintegração da sala ou podemos renovar com o inquilino. O Marcílio não tá recebendo nada, não sei se alguém tá recebendo. Falei com o presidente (da FCF, Delfim) sobre isso e vamos sentar e negociar”.
     A reportagem do DIARINHO tentou entrar em contato com Delfim, mas o cartola que chefia o futebol catarinense tá viajando pra fora do Brasil, de férias, e só retorna no dia 1º de outubro pra poder esclarecer divez a bagaça.

    Tão perdendo grana

     Uma das coisas que chamou a atenção na apuração dos fatos foi o valor que a DGraus paga todo mês pra FCF. Os 450 reais são considerados muito abaixo do preço de mercado pra uma sala com ótima localização, no centro da cidade, em frente ao ponto de ônibus mais movimentado de Itajaí.
     A pedido da reportagem, uma imobiliária avaliou por quanto o Marcílio poderia alugar uma sala dessas. Ao invés dos 450 mangos, o clube poderia receber até 3 mil reales mensais. Se multiplicarmos este valor de mercado aos 10 anos que o clube não recebe o aluguel, o Marinheiro já deixou de receber 360 mil reais, grana que certamente ajudaria a pagar um montão de dívidas do clube. "
 
     Pois bem, eis então que outra matéria, de ontem, informa que Delfim e Crispim teriam marcado uma reunião pra discutir e, talvez, resolver o perrengue do misterioso contrato, semana que vem. Porém, não se sabe ao certo o dia. Quem teria confirmado o encontro é a acessoria de imprensa da FCF, que não estava a par do rolo, ao contrário do departamento financeiro. A acessoria acrescentou que os dirigentes vão resolver tudo e os resultados serão divulgados na próxima semana.
     Que o contrato existe, é fato, todos admitiram. A grande dúvida está na sua validade. Ninguém sabe até quando ele é válido. O que se sabe, até que se ponha um ponto final no caso, é que a Federação continua contando com seus R$ 450 todo santo mês no seu caixa.

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